terça-feira, 30 de outubro de 2012

Beco sem saída – Parte Um



Pelo sangue que vi no chão percebi que ali seria seu sepulcro na Terra. O tiro deve ter perfurado o coração ou algo do tipo. Não entendo muito de anatomia humana, nem de sua natureza. Ele não tinha como desviar. Ouço seus sons de dor vindo de trás de um saco de lixo no fundo do beco. Ando devagar ao encontro do cadáver. Fui bastante ferido também. Acho que morro aqui hoje finalmente do lado do meu melhor amigo. Obrigado Deus por mais um dia aqui, obrigado mesmo, sem ironias. Eu tinha menos que dois meses de vida e Você me permitiu viver três vezes isso. Só não queria que acabasse comigo jogado no meio dos camburões de lixo. Não tinha como evitar não é? Tudo até agora faz parte de um plano maior.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Cama



Não tenho motivo aparente pra me levantar hoje. Só de ser meu aniversário, mas tirando isso, não tenho nada além do aniversário. Não tenho emprego, não tenho amigos próximos, nem familiares. A não ser meus pais, só que nunca mais falei com eles e eles simplesmente não me ligam também. Nem um cachorro ou um peixe pra me olhar de manhã e pensar “Caralho, tenho que alimentar ele/ela”. Queria alguém pra me motivar a sair daqui dessa cama, olhar lá pra fora e dizer “Olha lá. Tá vendo esse horizonte aí? É seu. Não desperdiça. Eu confio em ti. Eu te amo.” Mas eu olho no outro lado da cama e está lá, intocado. Até por mim mesmo. Fui acostumado a dormir em cama de solteiro. Aluguei um apartamento mobiliado e tive a surpresa da cama ser de casal. Espaço demais pra quem não sai de um cômodo.